terça-feira, 1 de março de 2016

Rezas

O que é que representa para ti? Isso é uma cena de filme autêntica, é encantadora e épica. O grande espetáculo está no que se segue, foi um êxito. Um verdadeiro êxito. Um modelo para o que veio a seguir, e ainda mais incrível é que me superei, o meu modelo era um t1 ao pé deste que é um palácio. Não andei a partilhar nada, já na altura quando comecei não pus o nome. É a invenção humana mais difícil de explicar, há juntas científicas a tentar faze-lo todos os dias. E a primeira vez que se faz só repara nos defeitos, não é narcisismo é autocrítica. Confundem-se, muito mesmo. Mas isso é um desafio, às vezes somos o oposto do registo. Tem que fazer sentido, a única aposta é fazer sentido e, esse, às vezes é o nosso maior desafio. Não é uma opção, não é a aposta segura, é diferente. Se virmos assim as coisas pode parecer um tiro no escuro, mas nunca se tem noção à partida. A adrenalina é complica de gerir, mas no final é essa que nos permite continuar. É o segredo, este é o segredo. Tem muita voltagem, é um perigo. Um perigo de alta voltagem que se assume, que se aprende a gerir. Não é coragem, de todo. É o contrário disso mesmo, é prazer. Puro prazer, o tempo que for de prazer. Nem tudo é protesto, mas há sempre um protesto claro inerente. Grita-se de forma intima, e a intensidade às vezes é angustiante, dolorosa e é preciso esticar as cordas vocais a um máximo sobre-humano. 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Homenagens em forma de escrita

Há artigos que nos dão um prazer do caraças escrever, há ideias que surgem automaticamente e que sabemos que de uma forma ou de outra queremos ver publicadas. Cruzamo-nos com pessoas no nosso dia-a-dia que, porra, merecem todas as capas e todas as manchetes. Depois há aquelas das pessoas que nos pertecem, que nunca poderemos escrever e sobre quem já foi escrito tudo. Que nós sabemos que havia mais uma coisa para dizer, mas que até preferimos que sejamos só nos a saber. E a essas pessoas há muitas formas de fazer homenagens póstumas, mesmo que não sejam sobre elas é pelo menos sobre o que elas criaram. E por isso quando vi aquele nome, que não era o teu, mas que tinha tanto de ti desceu em mim uma felicidade, inchei de orgulho ao saber que podia contactar com alguém que também passou tanto tempo contigo. Depois ao receber o Mail daquela empresa com aquele evento percebi que há coisas que estão destinadas nas estrelas, ou então são as nossas pessoas que estão nas estrelas que nos desenham o caminho. Uma das duas, ou então nenhuma das duas. Mas vou batalhar tanto por escrever esta história, tanto por contar a tua história sem que tu estejas lá, vou tentar de tudo. E vai ser a mais bela homenagem póstuma a que vais ter direito. Resta saber se tenho capacidades para isso, vou tentar. Vou tentar com toda a força que tenho.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Momento Fútil do dia #3

Consigo aguentar sem arranjar as sobrancelhas até ir fazer o laser ou é melhor marcar antes?

Porque escrever 5 artigos e acabar uma tese não é o mais importante do meu dia

Welcome to my livre

Há dias em que há uma vontade compulsiva de escrever, de escrever qualquer coisa o que quer que seja. Normalmente nesses dias não temos vontade de escrever nada do que é suposto escrever 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Não me quero despedir com medo de uma metralhadora

Não consigo escrever sobre outra coisa. O assunto não cansa, é o assunto. Paris, Paris, paris. Quantas vezes tivermos de repetir, quantas vezes tivermos de encher a bouça de Paris, de gritar Paris, de rezar por Paris. Não é demais, nunca é demais. Demasiado é o que temos aguentado sem retaliação. Na sexta estava numa exposição em Belém, eu e dois amigos. Fui. Ligaram-me, sai de casa e fui. Não liguei aos meus pais a dizer onde ia, como nunca faço. É descer Lisboa, antes da uma estaria em casa. Quantos não terão feito isto na sexta feira em Paris? Sair de casa para um concerto, para jantar sem ligar aos pais, aos irmãos, aos avós, aos tios e amigos. Sem antes lhes ligar a dizer que os amamos, que não os queremos perder por nada, que não nos queremos separar nunca. Hoje tomei o pequeno almoço com o meu pai, depois vi-o a ir, a andar descontraído. Enquanto eu tentava acalmar o pensamento: é esta a última vez que o vejo? A minha mãe ligou-me ontem,d desligou o telefone com pressa porque tinha outra chamada. Ligou-me a seguir só para se despedir. Não quero passar a viver com medo da despedida, não quero.

Levaram-nos tudo

Quis o destino que três dias depois dos violentos ataques em Paris se celebrasse a tolerância. Celebrar é um exagero, é algo que vamos ter que reaprender a fazer. Mas vamos fazê-lo, ninguém nos tira essa força, nenhum terrorista vai conseguir impedir que celebremos a vida. Vida, conceito que nenhum facínora conhece: respiram, movem-se mas estão mortos. Estão mortos de tal forma, com cérebros em putrefação, que querem matar tudo e todos os que encontram. Tudo. Sim, os radicais não matam só pessoas, matam coisas. Matam aos poucos o prazer da liberdade, esta sexta feira mataram o prazer de sair com um amigo, de dizer até já aqueles que gostamos, inundaram o prazer de viver com medo. Não queremos ter medo, não podemos ter medo. É assim que eles vencem. Temos medo de ter medo, de mostrar medo, de lhes mostrar que estão a conseguir, que aos poucos estão a contaminar o dia-a-dia. Não me morreu ninguém em França, mas eu morri muito. Morreu uma parte de mim que acredita estar segura neste lado da Europa, morreu a certeza de que em Portugal estou segura, a certeza de quando tudo falhar pelo menos vou ter as sextas à noite para esquecer. Que pelo menos não morra a minha tolerância, que a partir de agora não passe a olhar para um árabe como quem olha para uma fila de crimonosos numa esquadra da polícia.