quarta-feira, 10 de setembro de 2014
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Futuro meu, futuro meu, haverá algum futuro mais incerto do que o meu?
Não sei se já deram conta das assinaturas que agora aparecem na maioria dos textos dos jornais portugueses. Em vez de um nome de um jornalista aparece: 'Expresso'; 'Publico'; 'Redação TVI' e por aí fora... Que coisa bonita pensam vocês as redações unidas, os jornalistas à volta de uma mesa redonda a escrever acerca do mesmo tema. A sinergia das várias secções de um jornal que trabalham pelo bem comum. Pois, são pensamentos bonitos. É verdade que o são. Mas o problema é que há uma coisa que se chama Comissão da Carteira, outra que se chama Estágios Curriculares e uma terceira que se chama Estagiários. Agora pensam vocês, três que devem trabalhar pelo bem uns dos outros com o objetivo final de formar uma noa geração de jornalistas competentes. Mas também não... A comissão da carteira em 2008 decidiu 'pelo bem dos estagiários', dizem eles que esses teriam deixar de assinar as peças que escrevem sob pena de pagarem uma avultada multa. Que fique bem claro que eu deixo entre aspas a negrito a expressão 'pelo bem dos estagiários'. Não, não é o bem dos estagiários que se almeja. Hoje em dia os projetos de jornalistas, alguns muito melhores dos que andam no meio há anos, não têm direito a muito. Devo mesmo dizer que não têm direito a nada para ser justa e sincera. Os estagiários veem-se obrigados a aceitar condições escandalosas de estágios, muitos a ter que pagar para trabalhar. A maioria fá-lo de um sorriso no rosto, felizes pela oportunidade que têm, prontos a dar o melhor deles, o máximo dos máximos com a vil esperança de que um dia eles próprios possam vir a ter na mão uma carteira profissional. A única coisa que têm em troca durante os três, cinco, seis meses ou um ano de estágio é o portfólio com que ficam. São os textos que escrevem portanto vedar-lhes a assinatura é quase criminoso. Diria mais, é mesmo criminoso uma vez que há uma coisa chamada propriedade intelectual.
#somostodosbrasil
Não tenho aquele fascínio comum a qualquer português. O fascínio pelo Brasil. Tenho curiosidade em conhecer obviamente. Adorava tomar um banho naqueles mares maravilhosos, ouvir o samba e a boça nova. Beber um chôpe, e comer um pão de queijo. Mas, não sinto aquela ligação aos 'nossos irmãos', à terra de Vera Cruz...
Este ano com a Copa calhou-me fazer alguns trabalhos acerca do Brasil, na faculdade com os BRIC calhou-me ter que estudar o Brasil. A minha ideia inicial era de que cada vez que conhecia mais a cultura (verdadeira, e não a das telenovelas) brasileira mais acreditava que aquele povo estava condenado. Estava condenado porque aprendeu connosco o pior que nós temos e aperfeiçoou o engenho. Podia parecer xenófobo aquilo que eu dizia. Mas não era de todo. Não sinto fascínio pelo Brasil porque me sinto culpada por aquilo em que transformamos um pais que tinha potencial para ser a joia da América do Sul. O mesmo não acontece em relação a África, aí sim, sinto aquela 'chamada à terra' de que todos falam.
Mas depois o Brasil, os basileiros deram-nos uma lição. Pegaram na educação que lhe tinham dado a custo e com condições miseráveis e lutaram. Mostraram que afinal não eram um povo condenado. Eram e são um povo capaz que se quer capacitar mas que tem um governo, um Estado, uma máquina que os condena. Pegaram nos cartazes e foram para a rua, munidos das suas vozes de comando, provaram que na terra do futebol o futuro e a vida interessam mais.
Os jornalistas internacionais ouviram o chamamento, sentiram o fascínio. A Dilma tentou menosprezar a situação, a FIFA estava assustada e nós aplaudíamos. Já passaram quinze dias desde o final da COPA, e as capas jornais deixaram de ser verdes e amarelas, agora são só verdes da cor do BES. Já passaram quinze dias desde que os turistas e as grandes equipas saíram do Brasil. E nós aqui estamos, sem saber o que é feito do Brasil e dos corajosos brasileiros. Aqui estamos, dez anos passados do nosso EURO, ainda a pagar os nossos estádios, muitos deles já sem utilização muitas das suas equipas já sucumbiram enterradas em dívidas e os jogadores sem salários já não se vestem nos fascinantes balneários. A diferença é que há dez anos nós, os fascinantes 'portugas', saímos em conjunto para ver os fascinantes estádios, percorremos as fascinantes autoestradas de sorrisos no rosto e aplausos nas mãos.
Este ano com a Copa calhou-me fazer alguns trabalhos acerca do Brasil, na faculdade com os BRIC calhou-me ter que estudar o Brasil. A minha ideia inicial era de que cada vez que conhecia mais a cultura (verdadeira, e não a das telenovelas) brasileira mais acreditava que aquele povo estava condenado. Estava condenado porque aprendeu connosco o pior que nós temos e aperfeiçoou o engenho. Podia parecer xenófobo aquilo que eu dizia. Mas não era de todo. Não sinto fascínio pelo Brasil porque me sinto culpada por aquilo em que transformamos um pais que tinha potencial para ser a joia da América do Sul. O mesmo não acontece em relação a África, aí sim, sinto aquela 'chamada à terra' de que todos falam.
Mas depois o Brasil, os basileiros deram-nos uma lição. Pegaram na educação que lhe tinham dado a custo e com condições miseráveis e lutaram. Mostraram que afinal não eram um povo condenado. Eram e são um povo capaz que se quer capacitar mas que tem um governo, um Estado, uma máquina que os condena. Pegaram nos cartazes e foram para a rua, munidos das suas vozes de comando, provaram que na terra do futebol o futuro e a vida interessam mais.
Os jornalistas internacionais ouviram o chamamento, sentiram o fascínio. A Dilma tentou menosprezar a situação, a FIFA estava assustada e nós aplaudíamos. Já passaram quinze dias desde o final da COPA, e as capas jornais deixaram de ser verdes e amarelas, agora são só verdes da cor do BES. Já passaram quinze dias desde que os turistas e as grandes equipas saíram do Brasil. E nós aqui estamos, sem saber o que é feito do Brasil e dos corajosos brasileiros. Aqui estamos, dez anos passados do nosso EURO, ainda a pagar os nossos estádios, muitos deles já sem utilização muitas das suas equipas já sucumbiram enterradas em dívidas e os jogadores sem salários já não se vestem nos fascinantes balneários. A diferença é que há dez anos nós, os fascinantes 'portugas', saímos em conjunto para ver os fascinantes estádios, percorremos as fascinantes autoestradas de sorrisos no rosto e aplausos nas mãos.
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Aquela que faltava (MS)
E voltámos ao choro... Em menos de 5 minutos ou coisa que o valha... Mas desta vez de alegria. Recebi uma mensagem a dizer qualquer coisa como "acabei de saber que fui promovida" e a minha primeira reação é largar em prantos.
A minha baby foi promovida, ainda não sei como nem para que função. Mas sei que o foi. E eu tenho pedido tanto, mas tanto por este momento. A minha MS é alguém incrivelmente único, que me conhece até ao mais ínfimo pormenor. Mas o que a faz ser fantástica, não é a relação que tem comigo. É a relação que ela tem com o mundo. Não há ninguém que a conheça e que lhe fique indiferente. Não há ninguém que não pense que ela é feita à medida, tamanho único, coleção exclusiva, casta d'Ouro e edição gourmet.
A minha baby foi promovida, ainda não sei como nem para que função. Mas sei que o foi. E eu tenho pedido tanto, mas tanto por este momento. A minha MS é alguém incrivelmente único, que me conhece até ao mais ínfimo pormenor. Mas o que a faz ser fantástica, não é a relação que tem comigo. É a relação que ela tem com o mundo. Não há ninguém que a conheça e que lhe fique indiferente. Não há ninguém que não pense que ela é feita à medida, tamanho único, coleção exclusiva, casta d'Ouro e edição gourmet.
A minha MS este ano tem andado numa pequena montanha russa que a tem desequilibrada, que lhe tem imposto desafios e que a têm feito reagir com a cabeça muito quente. Este ano tem sido ´difícil para ela sentir um chão forte, que está preparado para a receber à primeira, à segunda e vigésima queda. Sente-se a andar numa corda que une o vale do Rei Leão... E nem isso a fez perder aquele brilho, aquela vontade inerente de estar sempre la, pronta para mim, para ti, para eles...para o mundo.
Eu tenho tentado mostrar-lhe que sou o chão que ela precisa, que estou aqui para as vezes que ela cair. Só não estou aqui para quando ela desistir (estou, mas desvio-me um bocadinho antes). O maior defeito da MS é querer agradar o mundo inteiro, querer que toda a gente goste dela e sofrer se alguém não o faz.
Eu tenho tentado mostrar-lhe que sou o chão que ela precisa, que estou aqui para as vezes que ela cair. Só não estou aqui para quando ela desistir (estou, mas desvio-me um bocadinho antes). O maior defeito da MS é querer agradar o mundo inteiro, querer que toda a gente goste dela e sofrer se alguém não o faz.
Vou ligar-lhe agora, que já passei do histerismo ao choro e de volta ao histerismo. Vou ligar-lhe agora e perguntar como é possível ficar tão feliz por alguém que não sou eu?
Viver estranhamente
Alguém que me dê lítio. Isto está a chegar a proporções nunca antes vistas. Não posso culpar as hormonas, o trabalho, os problemas. Desta vez a culpa é mesmo só minha, Sou um bicho estranho e tenho que me convencer disso.
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Tenho saudades suas avó
A minha avó sabia ler, a minha avó não teve que levar o mundo na cabeça, não teve que ver o sol nascer todos os dias. A minha avó não teve sete filhos, teve três e um deles foi o meu pai. A minha avó morreu cedo. Dela lembro-me do riso, das festinhas carinhosas, do ar altivo com que falava quando dava ordens. Dela lembro-me das noites em que me acalmava, dos seus olhos vermelhos que escondiam o choro quando o meu avô morreu. Lembro-me dela numa cama, em casa, num hospital. A lutar contra a estupida doença. Foi por ela a primeira vez que chorei. Que chorei a sério. Um choro que doi no peito, que esgota as lágrimas e que faz sofrer. Foi no dia em que ela morreu que senti pela primeira o que é ver a vida a mudar. As memórias que tenho da minha avó confundem-se com o que dela me contam. A minha avó perdeu o amor da vida dela. A minha avó morreu com os filhos criados e com quatro netos por criar. A minha avó morreu cheia de certezas e deixou-nos cheios de dúvidas.
Eu tenho saudades suas avós... Gostava de discutir consigo a importância da Republica, a grandeza do 25 de abril e das diferentes maneiras de pensar. Sei que íamos discordar. Gostava de voltar a fazer os trabalhos de casa na camilha do avô, de ir à Cenoura comprar vestidos, lanchar no horta e jantar suflé com bolo de chocolate à sobremesa. Eu tenho medo da morte. Porque sei o que ela é. O que ela leva e o vazio que deixa. Sei o que é chorar porque vemos uma fotografia, ouvimos uma frase ou pensamos no passado. Eu tenho saudades da minha avó.
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